Caro(a) munícipe,

Odivelas é um município jovem, com apenas 20 anos de existência, mas o nosso passado atravessa muitos séculos e importantes momentos do percurso de Portugal enquanto país.

D. Dinis, um dos reis maiores da nossa História, aqui se encontra sepultado, no emblemático Mosteiro de Odivelas, um monumento nacional de reconhecido prestígio, significado histórico e cultural, cuja construção remonta ao séc. XIII.

No Mosteiro de Odivelas funcionou, durante mais de um século, o Instituto de Odivelas, uma instituição de ensino de referência nacional que encerrou portas no final do ano letivo 2014/2015. Infelizmente, não foi possível contrariar essa decisão, por parte do Governo de então, que deixou ao abandono e sem quaisquer perspetivas de utilização futura, um monumento desta grandeza e dimensão, que tanto enobrece o nosso país e o povo que somos.

Face ao atual estado de degradação deste tão valioso património, e tendo em atenção a sua importância para o Concelho de Odivelas, para a nossa identidade e as nossas raízes, a Câmara Municipal iniciou um processo de negociação que possibilitasse salvaguardar, reabilitar e valorizar este verdadeiro símbolo do nosso território, como também assegurasse o importante e urgente restauro do Túmulo de D. Dinis.

Concluído com sucesso este ambicioso e exigente processo, queremos estabelecer consigo um compromisso de confiança para o futuro: trazer uma nova vida ao Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo e garantir a sua legítima fruição por parte da população do nosso concelho, bem como de quem nos visita. É esse o nosso principal propósito.

O Presidente da Câmara Municipal,
Hugo Martins

MOSTEIRO DE SÃO DINIS E SÃO BERNARDO

Fundado por El-Rei D. Dinis, em finais do séc. XIII, na sua Quinta de Vale de Flores, em Odivelas, foi construído entre 1295 e 1305.

Sobre os motivos que levaram o rei a fundar o mosteiro, embora relativamente desconhecidos, parecem indicar razões pias e uma vontade de afirmação de prestígio pessoal. A tese tradicional quer ver na fundação uma forma de agradecimento pelo milagre que teria salvo o monarca das garras de um urso. A presença da intervenção divina neste processo viria reforçar o significado religioso de um ato já por si piedoso. Contudo, não existem referências coevas ao cumprimento de um voto como estando na origem da fundação, o que parece indicar uma elaboração posterior.

O Mosteiro foi doado às monjas Bernardas da Ordem de Cister.

De estilo gótico primitivo cisterciense, é edificado de acordo com o modelo estabelecido pelo reformador da Ordem, São Bernardo de Claraval, Abade, Doutor da Igreja e mentor espiritual da Ordem de Cister.

O Mosteiro sofreu alterações significativas nos reinados de D. João IV (1640-1656) e D. João V (1706-1750), mas foi a reconstrução efetuada após o terramoto de 1755 que altera profundamente a traça primitiva do edifício, com a introdução do estilo neoclássico, quer na igreja, quer nos lanços do Claustro Novo.

Da primitiva construção restam a cabeceira da igreja, constituída pela capela-mor e duas capelas laterais.

No nártex que dá acesso à igreja, podem ver-se azulejos seiscentistas, painel azulejar de padrão de massaroca, inspirado em veludos persas, com registo da 1ª metade do século XVII.

De salientar ao alto, a imagem de Nossa Senhora do Rosário (popularmente conhecida por Nossa Senhora de Odivelas), da 1ª metade do século XVII. Ao centro, a imagem de S. Bernardo, o reformador da Ordem de Cister.

Nas alas exteriores, na alpendrada, observa-se uma decoração azulejar policromática do século XVII (azul e amarelo) e do século XVIII (azul e branco).

Próximo da porta da entrada, é possível observar ainda a roda da portaria que terá servido para venda de produtos alimentares (doçaria conventual) e troca de mensagens.