O Grupo de Trabalho para a Criação do Centro Interpretativo do Mosteiro de Odivelas (CIMO) tem como objetivo principal a criação de um futuro espaço museológico no Mosteiro de Odivelas, que reflita a fundação e o crescimento do Centro Histórico de Odivelas, bem como a história e a vida quotidiana das instituições ali alojadas durante mais de sete séculos. Assim, encontra-se a ser produzida informação de índole diversa e para a implementação do CIMO, nas várias áreas de estudo abrangidas, nomeadamente História, História de Arte, Arquitetura, Informática, Museologia, Antropologia e Arqueologia.

NOTÍCIAS

A arquitetura do Mosteiro de Odivelas

Estilo arquitetónico do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo é uma marca artística na história do tempo.

Tendo por base o trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho para o Centro Interpretativo do Mosteiro de Odivelas (GTCIMO), este edifício tem sido alvo de um estudo arquitetónico e de caracterização dos seus elementos construtivos, de modo a aprofundar conhecimentos sobre a génese e a evolução arquitetónica deste conjunto monástico.
O Mosteiro de Odivelas apresenta, hoje, uma confluência de estilos artísticos, como resultado de sucessivos acontecimentos nos seus séculos de existência.
Da construção original, destaca-se a cabeceira da igreja, marcada por características de estilo gótico. No entanto, devido à destruição causada pelo terramoto de 1755, predomina, por todo o edifício, o gosto à época da sua reconstrução: o estilo neoclássico. Exemplo disso, é o interior da igreja, onde se mantêm vários elementos decorativos característicos do barroco.
Também nos dois claustros – o Claustro Novo e o Claustro da Moura – encontramos soluções construtivas diferentes. O mais antigo (Claustro Novo) apresenta duas épocas de construção, sendo as alas sul e oeste mais antigas (século XVI), encontrando-se pontuado por elementos decorativos de estilo manuelino (portal) e de estilo renascentista (fonte). Também o Claustro da Moura foi reconstruído, apresentando-se marcadamente neoclássico. Assinalamos, igualmente, este estilo arquitetónico noutros espaços emblemáticos do Mosteiro, como a imponente galeria exterior (loggia) ou o antigo Refeitório das Monjas, sendo que, neste último, encontramos, também, elementos de outros estilos artísticos: o renascentista (base do púlpito) e o barroco (teto).

15 março 2021

Tela «São Bernardo em Glória» no Mosteiro

Obra de grandes dimensões foi identificada na sacristia e considera-se que é uma representação de escola portuguesa.

Na sequência do inventário dos objetos artísticos que fazem parte do espólio do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, levado a efeito pelo Grupo de Trabalho para o Centro Interpretativo do Mosteiro de Odivelas (GTCIMO), foi identificada uma tela de grandes dimensões, que representa «São Bernardo em Glória».
Atualmente exposta na Sacristia, considera-se, de acordo com os estudos em desenvolvimento, que esta representação de São Bernardo é de escola portuguesa, com fortes influências do barroco da segunda metade do século XVIII. Estaria colocada num dos dois altares dedicados a São Bernardo, no interior da igreja do Mosteiro.
Nesta tela, São Bernardo surge em glória com o gesto de bênção. É representado com o báculo abacial que está pousado sobre uma nuvem, atrás do santo, e um anjo em primeiro plano, sentado numa nuvem, segura a sua mitra.
São Bernardo de Claraval (1090-1153) foi um importante reformador da Ordem de Cister e devoto ao culto à Virgem Maria. Fundou o Mosteiro de Claraval, em 1115, no qual foi abade até à sua morte (Tavares, 1990, p.32).

08 março 2021

Presença Romana em Odivelas

Vestígios da Era Romana terão sido identificados na freguesia de Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto.

De entre diversos estudos já em curso, o Grupo de Trabalho para a Criação do Centro Interpretativo do Mosteiro de Odivelas (GTCIMO) encontra-se a investigar a presença Romana no concelho, tendo já identificado, em fontes bibliográficas, dois sítios, ambos localizados na atual freguesia de Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto.
Nesta fase da investigação, será aferida a conservação atual destes locais, sabendo-se que terão ali sido identificados vestígios cerâmicos e pétreos de cronologia romana. Os trabalhos do GTCIMO irão, também, centrar-se no reconhecimento de outros locais e materiais de Época Romana encontrados na área do concelho de Odivelas.
Ainda neste âmbito, a Câmara Municipal aderiu ao Projeto Lisboa Romana, em cujo site, lançado em janeiro, é possível conhecer vários sítios arqueológicos, de cronologias que começam ainda na Idade do Ferro e terminam após o ocaso do Império Romano. Em https://www.lisboaromana.pt/ são disponibilizados vídeos e animações que permitem visualizar parte do que foi o antigo município romano Felicitas Iulia Olisipo.

26 fevereiro 2021

Sistema hidráulico do Mosteiro em estudo

Investigação demonstra que a água era um elemento privilegiado na Ordem de Cister e que foi uma das razões para a implantação do Mosteiro em Odivelas.

O estudo sobre o Mosteiro de Odivelas, que está a ser levado a efeito pelo Grupo de Trabalho para o Centro Interpretativo do Mosteiro de Odivelas, iniciou recentemente uma nova vertente, que se centra na interpretação e compreensão da importância do sistema hidráulico na construção deste edifício no território de Odivelas.
Tendo o Mosteiro sido implantado sob as diretivas da Ordem de Cister – que privilegiava a água como elemento fundamental para a subsistência humana, para a fertilidade da granja e para os rituais das monjas cistercienses, conferindo-lhe um estatuto sagrado em cerimónias e rituais religiosos – sabe-se hoje que o sistema hidráulico que chegava das minas da nascente da Ramada e Casal Ventoso foi um elemento fundamental no abastecimento de água ao Mosteiro no decorrer de vários séculos.
Na primeira fase dos estudos em marcha, procedeu-se à identificação e interpretação de documentação existente sobre o tema, ação que permitiu, numa segunda fase, as visitas técnicas e trabalhos de campo em várias zonas do território de Odivelas, nomeadamente nas referidas minas.
O estudo em curso está a ser desenvolvido em articulação com a área de Arqueologia e com a assessoria científica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, através de um protocolo assinado com a Câmara Municipal de Odivelas.

22 fevereiro 2021

Claustros do Mosteiro de Odivelas alvo de reabilitação

Claustros do Capítulo e da Moura estão numa área com potencial arqueológico e vão ser reabilitados para permitir a abertura ao público.

O Claustro do Capítulo e o Claustro da Moura do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, em Odivelas, vão ser alvo de uma empreitada de reabilitação que permitirá tornar estes espaços visitáveis pelo público.
A intervenção inclui a reabilitação de terraços, coberturas, caixilharias e revestimento de tetos e paredes, com especial atenção para a conservação e restauro do património integrado pétreo e azulejar.
Uma vez que estes claustros se encontram numa área com potencial arqueológico, todo o trabalho será acompanhado pelos arqueólogos do Grupo de Trabalho para a Criação do Centro Interpretativo do Mosteiro de Odivelas, em consonância com as diretrizes da entidade tutelar, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). O objetivo é a salvaguarda de eventuais descobertas arqueológicas, bem como potenciar a divulgação dos trabalhos a desenvolver neste Monumento Nacional.
Esta empreitada de reabilitação está integrada na reprogramação da candidatura Lisboa 2020, aprovada e da responsabilidade da Câmara Municipal de Odivelas, na sequência do protocolo estabelecido entre a Autarquia e a DGPC para a execução da candidatura.

08 fevereiro 2021

Estudo de lápides sepulcrais do Mosteiro

Destaca a mais antiga lápide do Mosteiro de Odivelas, a de D. Urraca Pais, abadessa que desempenhou um papel relevante no Reinado de D. Dinis.

A Câmara Municipal de Odivelas está a realizar um estudo, no âmbito da criação do Centro Interpretativo do Mosteiro de Odivelas, sobre as lápides sepulcrais deste monumento, que se encontram distribuídas por diferentes espaços e que guardam em si memórias de monjas e de outros ocupantes.
Das lápides do Mosteiro, destaca-se a de D. Urraca Pais, a mais antiga e que se encontra na Casa do Capítulo. D. Urraca, abadessa de 1316 a 1340, desempenhou um papel relevante na fase inicial do Mosteiro, nomeadamente no reinado de D. Dinis.
A tampa apresenta o retrato a corpo inteiro, com as vestes prelatícias, segurando o báculo abacial na mão direita e na esquerda livro com fechos. Nesta sepultura foram ainda inumadas mais 3 abadessas, D. Teresa de Macedo (1760), D. Luísa Antónia de Sousa (1778) e D. Luísa da Conceição (1789), e ainda Madre Paula (1768), a conhecida amante de D. João V.
O registo fotográfico que está a ser realizado e a definição de diferentes percursos pedonais que se desejam implementar, permitirão preservar para memória futura as lápides e a sua epigrafia. De notar que, ao longo dos vários séculos, as lápides sofreram um natural desgaste com os passos da comunidade conventual e, mais tarde, de quem frequentava o Instituto de Odivelas.

29 janeiro 2021

Odivelas integra Projeto “Lisboa Romana"

Projeto tem como principal objetivo dar a conhecer a história da ocupação romana no Concelho.

A Câmara Municipal de Odivelas integrou recentemente o projeto «Lisboa Romana | Felicitas Iulia Olisipo», um projeto multidisciplinar sobre a época romana que envolve uma rede metropolitana de 20 municípios e outras entidades públicas e privadas, contando com o trabalho de 96 investigadores de cinco universidades. O objetivo é agregar e divulgar o conhecimento científico resultante de múltiplas escavações arqueológicas e investigações na região da Área Metropolitana de Lisboa.
A Autarquia encontra-se numa fase embrionária de estudo e recolha de informação arqueológica sobre a ocupação romana no seu território, com o propósito de contribuir de forma ativa para um maior conhecimento daquele período histórico.
Este projeto oferece-nos uma viagem no tempo que nos faz recuar cerca de dois mil anos, até à época da chegada do Exército Romano ao nosso território.
Saiba mais em www.lisboaromana.pt ou visite a página de facebook @lisboaromana

14 janeiro 2021

Aniversário da morte de D. Dinis

Passam 696 anos sobre a morte do Rei que escolheu Odivelas para seu repouso eterno.

A 7 de janeiro de 2021, cumprem-se 696 anos do falecimento de D. Dinis, o Rei que escolheu o Mosteiro de Odivelas como sua última morada.
Com um reinado de quase 46 anos, faleceu aos 63 anos, tendo ao seu lado a Rainha D. Isabel, o Infante D. Afonso e os filhos bastardos D. Pedro Afonso e D. João Afonso.
O cortejo fúnebre seguiu até Odivelas, onde viria a ser sepultado, conforme sua vontade, expressa em testamento.

07 janeiro 2021

Órgão secular no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo

Datado de 1798, o imponente instrumento está na Casa do Capítulo do Mosteiro e consta do inventário do Museu Nacional de Arte Antiga.

Já se sabia que na Casa do Capítulo do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, em Odivelas, existia um imponente órgão secular desmontado em duas partes.
Com o desenvolvimento de estudos e trabalhos – que visam tanto a requalificação do Mosteiro como a estruturação de um espaço museológico – e com a criação, por parte da Câmara Municipal de Odivelas, de um grupo de trabalho para a Criação do Centro Interpretativo do Mosteiro de Odivelas, sabe-se hoje que este instrumento musical consta do inventário do Museu Nacional de Arte Antiga e esteve afeto ao culto na Igreja de São Julião, em Lisboa.
Datado de 1798 e construído por António Xavier Machado, não são, contudo, ainda conhecidas referências à sua utilização na Igreja do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo. De facto, depois de ter sido instalado na Igreja de São Julião, o órgão foi transferido para o Museu Nacional de Arte Antiga em 1935, aí permanecendo até à década de 40 quando, após insistência da Diretora do Instituto de Odivelas, foi colocado na Sala do Capítulo do Mosteiro, desconhecendo-se o objetivo do seu regresso.
Permanece, também, a dúvida sobre como terá este órgão entrado pela porta gradeada da Sala do Capítulo, demasiado baixa para esta imponente obra. De acordo com a investigação, é provável que tenha sido dividido, dado que até hoje se encontra desmontado em duas partes, o que não permite a fruição deste magnífico instrumento musical.

18 dezembro 2020